29 junho, 2016

Como se forma um chef de cozinha?

Eu ia compartilhar esse vídeo no meu Facebook pessoal e apenas fazer menção aos meus amigos, mas resolvi escrever um post porque há tempos eles me desafiam a escrever mais sobre gastronomia e menos sobre restaurantes. 
Pois bem, aqui estou eu!
Assistindo o vídeo que conta um pouco da trajetória do chef Fabrício Lemos me passou um filme pela cabeça... Da minha história pessoal, porque também morei (e ralei) em Miami. E da minha história com a gastronomia, que começou na cozinha da minha vó, num restaurante de beira de estrada onde eu tive o primeiro contato com aromas e sabores, com escolha de ingredientes e, principalmente, com a decisão de servir. Já parou para pensar em servir o outro? Pois é basicamente isso que a gastronomia faz.
Na faculdade de Nutrição eu aprendi as "técnicas dietéticas", a química por trás dos alimentos, porque  e como eles se transformam. Como o amido vira um gel, como uma proteína desnatura, como os vegetais mantêm suas qualidade nutricionais. 
Mas eu não estava feliz, não queria prescrever dieta, não queria dizer aos outros o que deveriam comer ou o que corpo deveriam ter.
O MBA em gestão de negócios em alimentação me ampliou o horizonte, começar a escrever esse blog me conectou ao mundo real da gastronomia. Sim, o mundo real, porque eu nunca me limitei a sentar para comer "de graça", sempre procurei a cozinha, saber porque o chef decidiu cozinhar aquilo e não outra coisa qualquer...
Até que um dia escrevi sobre o Al Mare, restaurante que o chef Fabrício Lemos comandava na época e fui econômica em classicar o restaurante como "além da decoração, nao me encantou". Isso feriu os brios do chef com formação em Cordon Bleu e ele me chamou para cozinhar especialmente para minha pessoa. Hoje eu sei que ele estava morrendo de raiva, mas como eu nunca entro em briga chamei ele para a mesa e fiz minha clássica pergunta: "O que você GOSTA de cozinhar?"
Pronto: Estava formada uma amizade que não acabou mais. Ele gosta de dizer que me ensinou a comer além de macarrão com creme de leite, mas  nem sei se ele tem consciência de que ele está dividindo a história da gastronomia da Bahia em ANTES e DEPOIS de Fabrício Lemos.
Porque foi ele que trouxe a técnica, a alta gastronomia, as sensações e a estética para a comida baiana. Aliás, ele não faz comida baiana, ele cozinha a COMIDA DA BAHIA. Anda pelas feiras de todo o estado a procura de feijões, conversando com pescadores e descobrindo ou reinventando o que temos de melhor: nossos ingredientes.
Nunca tivemos uma conversa comercial, nunca firmamos oficialmente uma parceria, mas sempre houve carinho e admiração mútua. 
Por conta disso tudo, eu te convido a assistir esse vídeo abaixo com meu também amigo Leo Roncon (aí já é outra história...) para que você entenda que um chef de cozinha não surge por acaso e que existe uma grande diferença entre o executor de pratos e cardápios do cara que consegue simplesmente CRIAR.

Quanto a mim, vocês podem ler sobre o trabalho que eu desenvolvo hoje AQUI e entender como a nutrição pode (e deve) caminhar junto com a gastronomia.



3 comentários:

Lílian disse...

Que história bacana a dele, gostei!

Djacy Filha disse...

A simpatia vencendo a "guerra" do orgulho ferido. Gostei da forma como escreveu essa história. Parabéns!

Márcio disse...

Sou da opinião que você deve continuar escrevendo sem medo de criticar o restaurante ou melindrar o chef, quem quer que seja ele. Para mim, a avaliação de um restaurante deve sempre mencionar os pontos positivos e negativos. Estranho quando encontro apenas elogios, pois não há perfeição em nenhuma atividade, muito menos na gastronomia.